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Uma hora você tem que ser você

11:39 PM

Sempre amei batom preto, brincos enormes, cabelo colorido. Quando eu tinha 13 anos comprei um batom preto e um marrom escuro e no dia que usei virei motivo de zoação ainda maior do que o que eu já era. Foi tipo "faz mais cagada que tá pouco". Todo mundo me chamava de louca e esquisita só porque eu gostava de coisas diferentes, como pintar as unhas de azul, pink ou amarelo. E quando usava esses batons era chamada de bruxa. Que pessoas más, né? Eu era só uma adolescente sendo feliz. 

Engraçado que tudo que eu usava antigamente era considerado ridículo por que as pessoas tinham uma mente pequena e vazia e não estavam abertas para receber tanta informação original e eu sofri muito com isso porque, ao não me importar com a opinião alheia e continuar usando aquelas coisas que achavam errado e absurdo e que me faziam parecer esquisita, estava causando mais raiva nas pessoas e os comentários eram cada vez mais agressivos, algumas achavam tão insuportável a ideia de eu conseguir ser feliz e meus pais me deixarem usar o que eu queria, que até partiram para agressão física. Sim! Apanhei por que não suportaram me ver livre. Teve outras que até chegaram a indagar se eu era "sapatão". Perdoe-me o uso desse termo pejorativo e ridículo que eu tanto odeio, mas era assim que falavam. E daí se eu fosse? A vida é minha, o corpo é meu, não é? 

Já se passaram 16 anos desde que completei 13 anos e eu me pergunto: cadê minha identidade? Escolhi uma profissão que é linda, mas que não me permite usar o que eu quero. Unhas compridas e com esmalte? Nem pensar. O esmalte se torna um depósito de bactérias e se for escuro pode camuflar fluidos como o sangue. Maquiagem no trabalho? Melhor não, né kiridinha! Usar cabelo colorido? Nem em sonho. Só se for pra ficar desempregada eternamente. Uma chatice só.

E daí que tive outra chance de fazer uma nova graduação e, que curso escolho? Outro em que você precisa ser "bela, recatada e do lar". O resultado não podia ser outro além de negligenciar a graduação ao ponto de reprovar todas as disciplinas por falta. Só de pensar que na minha primeira graduação eu era maior nerdzona, não parava de estudar nem pra comer, e nessa segunda eu reprovei todas as disciplinas em que estava matriculada no semestre já me dá crise de riso kkkk.

Que monótona uma vida vivida assim se privando do que gosta. Pessoas tentando o tempo inteiro dizer o que você pode e não pode fazer. 
Que saco, cara! 

A pessoa nem pode ter o direito de ser ateia por que os outros não aceitam que você não tenha crenças e não acredite em deus (na verdade no deus delas). Tem noção que tem mais de 100 religiões teístas no mundo? São 62 religiões monoteístas (que acreditam em um deus), 64 politeístas (que acreditam em mais de um deus), além do teísmo indefinido (Satanismo, Luciferianismo e Ocultismo) e isso é porque nem estou falando de outras religiões que surgem aí a cada minuto. Por que eu teria que escolher uma se eu prefiro não acreditar nessas coisas? Eu acredito na ciência. E tenho direito de acreditar ou não no que eu quiser e nem por isso desrespeito os outros e fico forçando-os a acreditar no que eu acho que é melhor. 

Pior é quando quem tenta determinar o que você deve pensar é alguém do seu círculo de amizade, ou da tua família, namorado ou marido. Quer um conselho? Não deixe de ser feliz do jeito que você gosta de ser. Não deixe de usar o cabelo colorido, não tire o short curto nem o batom vermelho. Quer mudar de faculdade? Muda. Quer terminar relacionamentos de amor e amizade que estão te fazendo mal? Termina. Não se prende à coisas que estão te privando da felicidade. Você só está presa a uma corrente invisível. Ela só existe na sua mente. E é melhor quebrá-la.

Uma vez vi alguém dizer que estava numa sessão de análise e o psicólogo falou 
"Uma hora você tem que ser você. Uma hora você tem que deixar de ser filha de alguém e ser você e fazer o que você gosta".

E é isso que estou fazendo agora. 

Por que você não faz também?

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